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O mimo / Dennis D.
Rita, a rata, a fim de presentear a filha única de sua melhor amiga, gastou três mil e quinhentos dinheiros na compra de um par de brincos.
Ao abrir a caixinha de veludo, Lorraine, a jovem leitoa, fingiu-se de maravilhada: “Ai, que beleza, Tia Rita! Thanks a lot!” Em seguida, sussurrou no ouvido de Patty, a pata: “Como é cafona essa amiga de mamy! Onde já se viu dar pérolas a porcos?”
Escrito por Dennis D. : 08h42

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Celebração da Inocência / Dennis D.
Foto: Dennis D. / 2008 / "Inocência"

Minha composição 'Celebration of the Innocence' (Peça curta, mas com 2 partes: Abertura Allegro e Largo):
Escrito por Dennis D. : 20h52

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3º Poema Para Cordas / Dennis D.
Foto: Dennis D. / 14/8/09 "Violino Sobre a Cama"

Fotos: Dennis D. / 2008 / "Notações Musicais, Manual e Digital" Séculos se passaram até que o mundo da música pudesse contar com a facilidade das notações digitais que, além de práticas e rápidas, são 100% fiéis à melodia criada.

Minha composição '3º Poema Para Cordas' (outra peça curta):
Escrito por Dennis D. : 02h54

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Inferno / Dennis D.
Inferno é o lugar onde muito se fala e pouco se lê.
Escrito por Dennis D. : 23h06

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As poderosas coxas de Sócrates / Dennis D.
Olimpíadas são sempre chatíssimas. Esporte, do atletismo ao cuspe à distância, é coisa irrelevante. Esporte é brincadeira antiga, que a Humanidade pratica desde o tempo da bola de pedra quadrada, e nunca serviu para aprimorar o mundo, nunca evitou guerras, nunca fez com que o homem aprendesse a pensar melhor. Esporte é bom mesmo para quem o explora comercialmente, para quem enriquece a custa dele, sem fazer força, sem suar, sem feder, sem dilatar as veias do pescoço ou do rabo. Os magnatas do esporte são sempre prósperos senhores barrigudos e os atletas são sempre aqueles "heróis" que chegam aos quarenta com carinha de múmia egípcia e miolos de um rapaz de dezessete, isto quando não detonam o próprio corpo, de forma irreversível, antes dos trinta.
Marx errou feio ao dizer que a religião é o ópio do povo. O esporte é o ópio do povo! Se Madame Curie tivesse sido uma dessas ginastas de bunda empinada, certamente não lhe deveríamos a importante descoberta do radium. Se Thomas Alva Edison tivesse sido um maratonista, ainda estaríamos iluminando a nossa casa com velas de cera ou lampiões a querosene. Se Alexander Fleming tivesse sido um intrépido velejador... neca de penicilina, a mamãe de todos os antibióticos. E se Bach, Mozart e Brahms tivessem trocado a música pela natação ou pelo salto com vara? Dio mio! O que estaríamos escutando em nossas melhores salas de concerto? A Sinfonia das Bufas? E se William Shakespeare, Marcel Proust e Machado de Assis tivessem preferido se dedicar à canoagem ou à patinação artística no gelo, hein???
Acho melhor eu parar, porque me veio à mente a perturbadora cena de um jovem Sócrates dizendo ao seu pai: “Não, papai Sofroniscus, eu não quero mais estudar literatura ou música, que são coisas de viadinhos. Quero fortalecer as pernas e tornar-me o melhor corredor lá nos Grandes Jogos de Olímpia. Serei um atleta famoso, papai, e minhas poderosas coxas, eternizadas em mármore, servirão de inspiração a jovens atletas do mundo inteiro, ao longo de séculos e séculos e séculos e séculos e séculos e blá e blá e blá...”
Escrito por Dennis D. : 00h05

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Foto: Dennis D. / 10/08/2008

Minha composição 'A Alma De Um Relógio' - peça curta - breve poema para cordas:
Escrito por Dennis D. : 16h50

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Laramie / Dennis D.
Às quatro da madrugada, o travesti Samara Negri e seu cliente de unhas roídas entraram na suíte 16 do Motel Laramie. Viram a cama revirada e os cinzeiros imundos. No ar pesado, flutuavam odores cambiantes de urina, fezes e perfume barato.
O cliente de unhas roídas apanhou o interfone e apertou a tecla vermelha.
“Portaria? Queremos outro quarto, mocinha. Este aqui nem foi limpo. Deixaram os lençóis manchados de vinho tinto e uma calcinha no fundo da banheira! Está bem, eu aguardo, mocinha.”
“Samara Negri curvou-se e abriu a porta do frigobar. Queria uma cerveja bem gelada, mas o que encontrou foi a cabeça de uma japonesa, cujo olhar parecia sonolento e a boca entreaberta exibia a ponta de uma língua rosada e fosca.”
“Não é vinho”, disse Samara Negri.
“O quê?”, perguntou o cliente de unhas roídas, ainda com o interfone colado à orelha direita.
Samara Negri levou sete segundos para responder: “Isso aí que manchou os lençóis, amor. Não é vinho.”
Escrito por Dennis D. : 15h40

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O bandoneonista / Dennis D.
Caminhando pela Avenida Rivadavia, vi o velho bandoneonista que se faz passar por cego para ganar unos pessitos, o puto, pobre puto, doce cretino, miserável puto, cínico, belo, orgulhoso de sua barba branca bem aparada, de seu anel de rubi, de seu negro bandoneón que se chama Carlito.
Escrito por Dennis D. : 08h48

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Reflexões rabugentas num domingo qualquer / Dennis D.
Apesar de muito bem treinado, e ainda relativamente bem polido, não sou uma criatura sociável. Não sou mesmo. Digo sociável no que se refere aos amenos e festivos contatos humanos diretos. Sou um bicho que se esconde na toca, que fecha cortinas em dias de muito sol, que prefere estar quieto no seu canto personalizado, fazendo suas coisinhas fora de moda e fora do contexto Brasil-Pandeiro. Aliás, o som do pandeiro me dá calafrios na uretra. Um peido me parece mais afinado do que um pandeiro. Bem, como eu estava resmungando... O fato de eu não ser uma criatura sociável, no sentido aceito e pretendido por 95% das pessoas que caminham sobre a terra, já me causou alguns aborrecimentos. Minto, já me causou incontáveis aborrecimentos. Há muita gente que confunde este meu jeito com ‘desconsideração’, ‘menosprezo’ e até mesmo com ‘soberba’. Soberba, Dio mio! é uma coisa tão burra! Não, não se trata de nada disso. É neurose. Pura e simples neurose. De qualquer modo, acho reconfortante imaginar que não sou o único assim, e que os tão admirados J. D. Salinger e Dalton Trevisan também padecem (ou desfrutam, sei lá!) das mesmas neuras. Aliás, o mínimo que se diz do Dalton, por exemplo, é que ele é enigmático. ‘Enigmático’ que deve ser lido como ‘diferente do que as pessoas acham apropriado a um escritor ou a um homem moderno e civilizado’. Bah! — o que se agüenta neste mundo cheio de filisteus caga-regras!
Continuando... Meus parentes e amigos mais antigos foram delicadamente obrigados a aceitar o meu neurótico jeito de ser. Quando eu apareço em uma festinha, nossa! causo espanto geral. “Ele veio! Ele veio! Que coisa!” Pois é. Assim são as coisas. E saibam vocês que nem sempre eu fui assim. Eu costumava ser muitíssimo sociável, um verdadeiro príncipe-diplomata, mas isso foi há anos perdidos. Salingerei-me e trevisanerei-me desde o começo deste novo século. Coisas da vida, coisas que vão acontecendo dentro de nós e não se controla — ou melhor, que já não se tem motivos para controlar. Acho que estou ficando velho mais depressa do que imaginava, se não na aparência, ao menos nas manias, nas rabugices e nos sentimentos de cínica contemplação da vida. Velho, para mim, não é palavra pejorativa. Juventude (está mais do que provado) é um período de intensa infelicidade, arrogância e cegueira. Juventude, felizmente, é doença que —quando não mata — vai embora sozinha. Que bom que assim é! Envelhecer talvez seja este gradual servir-se do precioso direito de mandar na própria vida. Se não for isto, deve ser algo parecido. É o que me consola e apraz. Há mais a dizer, mas direi noutra hora.
Escrito por Dennis D. : 10h35

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Foto:"descanso" / by Dennis D. (ontem, numa pausa para um cafezinho)

Recoloco aqui a minha composição "Estudo Para Cordas Nº 2". (Più legato e Più lirico) Peça curta (piano, violinos violas e cellos).
Escrito por Dennis D. : 09h08

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Sandrine e o marinheiro / Dennis D.
Às três e meia da madrugada, na esquina da Rua Miguel de Unamuno com a Travessa Los Morritos, um marinheiro negro acende o último cigarro do maço e empina o queixo para expelir a baforada. Cinco metros adiante, sentada no degrau da primeira porta da Unamuno, está uma égua-puta encilhada chamada Sandrine a contar seus dinheiros encardidos. Antes de enfurnar em algum lugar esses dinheiros vindos dos bolsos dos velhos e dos bêbados cagados, ela estica cada nota sobre o joelho, desvira as pontas dobradas, alisa-que-alisa, e faz a soma geral em voz alta.
O marinheiro se aproxima de Sandrine e diz: “Vá somar dinheiros na cloaca mijada da casa do caralho, sua puta contabilista!” E segue em frente, pela Unamuno deserta, até desaparecer de vista.
Sandrine apanha mais uma nota amassada, coloca-a sobre o joelho, mas fica imóvel, muda, olhar perdido, a mente a dar voltas e mais voltas, porque se perdeu nas contas também.
Então o marinheiro negro, que possivelmente contornara o quarteirão, surge outra vez na esquina da Unamuno com Los Morritos e grita para Sandrine: “Desculpe o mau jeito, neguinha. É que ando meio enervado. Releve, please, minha linda!”
Ao longe, late um cão.
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Ocorreu um problema com meus arquivos mp3, mas já está solucionado.
Abaixo, recoloquei o arquivo com a minha composição
"Poente"/ A Chegada da Noite":
Escrito por Dennis D. : 15h22

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Dona Celestina / Dennis D.
Duzentos e sessenta e quatro pares de olhos atentos, o Pastor Dijanir Mendonça toma o microfone das mãos da enérgica Apóstola Regina Thelma e anuncia: “Amanhã, meus irmãos e irmãs, é o dia! O dia que há de ser um marco definitivo na vida de cada um de vocês. Amanhã, meus irmãos e irmãs, vamos colocar à prova o Poder de Deus. Deus é mesmo poderoso? Existe alguma dúvida no fundo do coração de vocês? Amanhã, minha gente de Deus, vamos lançar o Grande Desafio dos Mil Dinheiros! Pobres, remediados ou ricos, cada um de vocês irá doar mil dinheiros e participar do nosso Desafio: EU QUERO QUE ESTES MIL DINHEIROS DOADOS VOLTEM A MIM MULTIPLICADOS POR DEZ! Deus quer ser desafiado, e Deus vai manifestar SEU PODER realizando uma transformação radical na vida financeira de cada um de vocês, meus irmãos e irmãs. Amanhã é o dia! Avisem seus amigos e parentes, seus vizinhos da rua, que venham todos ao nosso culto e tragam mil dinheiros para participar do Grande Desafio. Quem não tiver os mil dinheiros à mão, peça um empréstimo, empenhe algum bem, venda alguma coisa, alguma jóia, algum aparelho eletro-eletrônico, consiga, enfim, esse valor do jeito que for, não importa qual. Só não vale roubar! (risos). Amanhã, irmãos e irmãs, é o dia do Grande Desafio dos Mil Dinheiros. Amanhã, quinta-feira, em todas as nossas Igrejas, pontualmente às vinte e uma horas. Mil dinheiros doados hão de mudar a vida financeira de vocês e de seus familiares. Doem com fé, doem com a certeza firmemente agarrada ao coração, doem sem lamentações. Amanhã, às vinte e uma horas, vamos fazer o nosso Grande Desafio dos Mil Dinheiros, não se esqueçam. Tragam cheques, dinheiro vivo, notas, moedas, cartões de crédito, o que importa é que o valor seja de exatos mil dinheiros, o que importa é doar com muita alegria e fé!”
Na última fileira do auditório, em voz baixa, Dona Celestina comenta com a sobrinha: “No meu tempo, Darlene, Deus queria que a gente carregasse um coração sem pecados. Hoje, Ele quer mil dinheiros.”
Darlene estremece, fecha a cara e sussurra: “Não diga blasfêmias, tia! A senhora está no Templo do Senhor Jesus. Tenha mais respeito.”
Escrito por Dennis D. : 09h03

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Tenente Peixoto / Dennis D.
Os policiais suspeitaram daquela mala enorme, imunda, amarrada com cordas e mais cordas. Detiveram o sujeito que arrastava a mala, a mulher esquálida que o acompanhava e foram todos para a delegacia.
O tenente Peixoto perguntou: “O que o cidadão leva aí dentro dessa mala?”
O sujeito respondeu: “Aí dentro, seu guarda, eu levo as sete almas do meu gato, o Egipciano, que morreu sexta-feira passada, lá em Paraitinga.”
“Então abra a mala e mostre essas almas pra gente”, determinou o tenente, a sorrir.
Quando as cordas foram retiradas, a tampa da mala despencou para o lado e sete sombras rodopiaram meio metro acima do chão. Foram exatamente sete rodopios, depois as sombras mergulharam no peito do tenente Peixoto. Este tossiu umas duas ou três vezes e desabafou com o sargento: “Mala grande, toda amarrada com cordas e... vazia. Esse cara deve ter escapulido de algum hospício.” Em seguida, o tenente Peixoto fez aquela pergunta absolutamente fora de hora: “Será que temos algum leite fresco na geladeira da copa?”
Escrito por Dennis D. : 00h27

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